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Rituais Xamânicos: Chanupa
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Cerimônia
da Pipa sagrada - Rito ancestral
Tradicionalmente, os índios do norte
da América reuniam toda a tribo para a realização
da cerimônia da Pipa Sagrada com o intuito de
resolver problemas ou pendências da comunidade,
formando um grande conselho; antes e depois de caçadas
ou guerras, para agradecer às graças recebidas
como uma colheita farta, ou ainda, para passar instrução
para “toda a gente”. E assim tem sido feito,
de geração em geração...
Até hoje em dia.
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Existe uma lenda que diz que dois homens
caminhavam juntos, quando, repentinamente, uma linda mulher
vestida de branco lhes apareceu. Um deles a olhou com desejo,
e por isso, no mesmo instante, caiu morto. O Outro, a olhou
com admiração, como quem olha algo divino. Ela
se apresentou como a “Mulher Búfalo Branco”
e pediu que ele levasse uma mensagem para a sua tribo. Pediu
que todos se reunissem dentro do Temazcal (tenda do suor)
onde ela apareceria para lhes passar mais instruções
sagradas.
E assim foi feito: quando ela finalmente surgiu na “tenda
do suor”, apresentou-lhes a “Pipa Sagrada”,
a medicina do tabaco e a maneira em que ela deveria ser utilizada.
Revelou assim, que seu propósito seria de unir as pessoas
em oração, para rogar por tempos melhores diante
das dificuldades e agradecer pelas bênçãos.
Seria uma maneira poderosa de falar ao pé do ouvido
do “Grande Espírito”.
A “Chanupa” – também conhecida como
"Pipa Sagrada" ou “petyguá”-
é um instrumento que representa o centro da tradição
do Caminho Vermelho. Acredita-se que dele, se obtém
a conexão com o divino, com o poder de elevar as preces,
propósitos, intenções e agradecimentos
ao “Grande Espírito”. Por isso o seu compartilhar
é tido como um momento de muita honra e é muito
reverenciado.
Sua estrutura é dividida em duas partes: a parte aonde
vai o tabaco geralmente é feita de pedra representando
o Feminino, e o corpo, por onde passa a fumaça, é
feito de madeira, representando o masculino. Essa conexão
representa o equilíbrio e a harmonia entre estas duas
polaridades.
Ao acendê-la, antes mesmo de falar, toma-se uma benção
com a fumaça, levando-a para cima da cabeça
e logo ao coração. A fumaça não
pode ser tragada, pois ela deve subir pura, para que os Espíritos
do Grande Mistério entendam com clareza o rezo(pedido
ou agradecimento).
É muito importante lembrar que o tabaco utilizado neste
ritual não é o industrializado (misturado com
materiais químicos, nocivos à saúde)
e sim o tabaco “cerimonial”. Segundo Sun Bear
(1929-1992) “medicine chief”, escritor e visionário
índio Chippewa (Michigan, EUA) o tabaco cerimonial
“(...) quando reverenciado no Cachimbo Sagrado, carrega
as preces (wishes) para os Espíritos. Fumar tabaco
é fazer um chamamento ao plano espiritual para ajudar.
Quando alguém fuma por diversão, está
continuamente fazendo chamadas aos Espíritos para si
com um falso alarme”.
Por mais paradoxal que nos possa parecer,
o tabaco sempre foi considerado pelos índios como “Planta
de Poder”, tida como uma erva de cura, que, todavia,
caiu em mau uso pelos brancos com sua utilização
totalmente desvirtuada e abruptamente desregrada. Consideram
que, como toda forma de “medicina”, pode fazer
muito mal para quem não lhe dá o devido uso.
Enfim, cabe a cada um tomar as suas conclusões.
A Cerimônia da Chanupa é gratuita,
aberta a todos, independente de credo. Realiza-se às
segundas quintas-feiras de cada mês, às 20:00h,
no Espaço Tempo do Vento.
Agenda
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